quarta-feira, 30 de março de 2016

FEBRE DE AMAR




Me responda que eu pago, doutor
Qual remédio eu preciso tomar?
Eu acabo de vez com este amor
Ou padeço na febre de amar

Eu não sei quem inventou este amor,
Este abismo que agora eu desabo!
O amor é uma coisa divina
Ou será uma invenção do Diabo?

Eu não sei quem inventou este amor
A tortuosa doença sem cura!
Nos trazendo alegria e calor
E causando agonia e loucura

Esse alguém que inventou este amor
Colocou a pureza e a ternura,
Mas também incluiu o torpor
E esqueceu do remédio pra cura


Eu cansei desta agonia de amar

E quero algo pra me entorpecer,

Mas não sei qual remédio tomar
Pra curar este amor e esquecer.

(Richar Conceição)

sábado, 9 de janeiro de 2016

ESCRITO NO MEU OLHAR



Caminho democraticamente pela rua, já atrasado para o trabalho, quando repentinamente vem em minha direção, distraída, aquela que mexe com meus sentimentos e que me cativa sem precisar dizer uma só palavra. Disfarcei olhando as vitrines da loja e o filme que estava em cartaz no cinema para que ela não notasse que meu coração estava palpitando mais rápido por causa da sua presença que se avizinhava. Virei-me na sua direção com um sorriso amarelo, coração palpitante, contendo a respiração um pouco ofegante e tentei puxar qualquer assunto só para vê-la de perto por alguns instantes.
Beijei a sua face cautelosamente, dei um abraço amigável e não muito demorado pra que ela não notasse que eu estava perplexo ao vê-la naquele instante em que eu estava desprevenido. Digo desprevenido, pois sempre que a vejo tento ser o mais superficial possível, invento alguma desculpa ou falo algo mirabolante pra ela não perceber o meu notável nervosismo, finjo que está tudo ótimo e que não fico pensando nela depois de nos falarmos casualmente na rua.
O calor do sol me incomodava um pouco e eu a convidei pra dar mais um passo pra sua direita e ficar na sombra, ela optou por ficar no sol e eu não discordei da sua escolha, pois o sol iluminava o seu rosto e dava um contraste todo especial no seu cabelo, que de vez em quando, alguns fiozinhos mexiam-se com a brisa que levemente acariciava o seu rosto.
Deixei escapar na minha fala trêmula que estive pensando nela, durante essa semana, e ela brincou dizendo que no mínimo eu estava a maldizendo de todas as formas cabíveis. Eu afirmei pra ela que dessa vez, não. Dessa vez eu falava bem dela nos meus diálogos imaginários comigo mesmo e que enviaria por email tudo que escrevi pensando nela, nas minhas madrugadas de insônia.
Pedi que ela escrevesse o seu email no meu caderno de anotações com a desculpa de que a letra dela era mais legível que a minha, mas esse foi apenas um pretexto pra guardar comigo a sua letra, já que tudo que vem dela é importante pra minha saúde emocional. Pra minha surpresa e indignação comigo mesmo, tropecei nas palavras e acabei não dizendo coisa com coisa, logo eu, que nunca tive problemas em me expressar gaguejei na hora de me despedir, e pra minha dupla infelicidade tentei repetir o que tinha dito e adivinha; gaguejei novamente e não consegui dizer absolutamente nada. Ela riu da minha rara timidez. Com receio de gaguejar pela terceira vez numa única frase, optei por dar um sorriso sem graça, acenar com a mão direita e ir embora sem dizer uma só palavra, já que a frase: "eu te amo" não quis sair da minha boca, se bem que nem precisava dizer, estava escrito no meu olhar desde o primeiro dia que eu a vi.

                                                                                
                                                                                  (RICHAR CONCEIÇÃO)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

LEVE SUSSURRAR

Sinto falta dos seus olhos me querendo
Dos seus dentes me mordendo
E do seu jeito de me amar

Sinto falta do seu mundo desconexo
Do seu corpo e do seu sexo
Em cada noite sem luar

Sinto falta das suas mãos me beliscando
Do seu corpo em mim pesando
E do seu leve sussurrar

Sinto falta do seu jeito e da sua sorte
Mas em ti chegou a morte
E eu não pude mais te amar.

(Richar Conceição)

domingo, 29 de novembro de 2015

OLHOS CASTANHOS



Nos teus olhos castanhos
Têm o mundo que jamais encontrei!

Vejo as coisas sem mentira ou malícia,
Vejo a paz, mas jamais a terei

Nesses olhos que enxergam a vida
E emocionam os amigos e estranhos,

Que refletem a alma sensível
Da menina dos olhos castanhos

São o noturno luar no oceano,
São a imperecível aurora do dia
E toda a treva existente em meu corpo
Sua beleza ocular repudia

É um lugar tão bonito e tranquilo
Que aproxima minh’alma de Deus,
Purificando a tristeza em alegria
Trazendo a fé nos meus olhos ateus

Quero a vida existente em teus olhos
Pois a morte está dentro dos meus!
Quanto amor! Quanta paz e harmonia,
Já revi dentro dos olhos teus!

Esqueci tantas coisas na vida
Mas não esqueço esse amor tão estranho,


Pois eu amo a presença divina
Da menina dos olhos castanhos.

(Richar Conceição)

sábado, 31 de outubro de 2015

MENOS EU




Júlio comprou uma moto, e na rua da minha casa, corria, fazia “rodão”, fazia muito barulho e pelo chão deixava as marcas de pneus com suas manobras radicais
Todos acham um máximo, menos eu

Júlio andava com velocidade máxima, ultrapassava e costurava todos os veículos, era imbatível até mesmo pela polícia que jamais conseguiu pegá-lo nas fugas extraordinárias pelas avenidas, ruas e becos da cidade
Todos o idolatravam, menos eu

Júlio nunca foi pego pela polícia, dirigia sem carteira de habilitação, acelerava a moto quando via mulher bonita mesmo se elas estivessem acompanhadas.
Todos queria ser como ele, menos eu
Júlio apostou corrida e em alta velocidade perdeu o controle da moto,  atingiu um carro de frente e com o impacto, acabou voando por mais de cem metros. Júlio quebrou os braços, pernas, costelas, cervical, rachou a parte parietal do crânio e o sangue escorria pela Avenida Santa Tecla.
Todos ligaram pra ambulância, menos eu

Júlio teve morte instantânea, velório com caixão fechado, a anatomia do seu corpo ficou desfigurada
Os amigos lamentaram, os familiares choraram e todos se desesperaram, menos eu.

                                                   (Richar Conceição)





domingo, 13 de setembro de 2015

DE UNS TEMPOS PRA CÁ



Cada dia que passa, se torna mais difícil não pensar em você, pois de uns tempos pra cá, vejo o seu rosto em outros rostos que não são o seu, e quando beijo outra boca fico idealizando o gosto da sua.
De uns tempos pra cá, o meu sentimento por você tem aumentado cada vez mais, qualquer dia desses não servirá dentro do meu peito e transbordará pelos meus suspiros, pelas minhas lágrimas e pelos meus poros.
De uns tempos pra cá, não estou mais conseguindo disfarçar o quanto estou gostando de você, pois os meus lábios balbuciam o seu nome de forma diferente de todas as outras palavras que saem da minha boca. Sonho com você, quando ainda estou acordado e quando chega a noite o sono não vem. Não consigo dormir com o coração aflito e com essa imensa ansiedade para que o dia amanheça logo para que possamos nos encontrar, nem que seja por alguns minutos.
Cada dia que passa, se torna mais óbvio o crescente carinho que passei a sentir por você, desde o dia em que passamos a nos falar com mais frequência. De uns tempos pra cá, sinto como se você estivesse grudada em minha pele feito tatuagem e só sai se eu arrancar a pele. Mas pra que disfarçar, esconder, arrancar a pele? Vou deixar fluir naturalmente essa vontade louca de ter você pra mim! Vou ouvir dezenas de vezes aquela música romântica que me faz lembrar você, vou frequentar os mesmos lugares que você frequenta pra parecer que nos encontramos por culpa do destino. De uns tempos pra cá, está sendo impossível estancar a paixão que escorrer aos litros através da minha alma, das minhas lágrimas e dos meus poros.

(Richar Conceição)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUANDO EU MORRER


Quando eu morrer, ficarão apenas minhas palavras rabiscadas no branco papel e a lembrança da minha presença no coração dos pouquíssimos companheiros que souberam entender o sentido das minhas palavras. Morrerá junto comigo, minhas alegrias, saudades e sonhos jamais realizados.
Quando eu morrer, deixará de existir aquele sujeito que se apaixonava diariamente por você, e escondia no peito, uma tristeza profunda, porém, conservou sempre a mesma serenidade do amor.
Quando eu morrer, deixará de existir o seu poeta, e acima de tudo admirador, pois tenho certeza que, quando eu morrer, não haverá nenhum outro capaz de te amar verdadeiramente e expressar o que sente em atitudes, e também em meras palavras, da mesma forma que eu fiz.
Quando eu morrer, quem sabe, meu coração deixará de sentir tanta dor, deixará de bater desesperadamente em vão e nem irá contagiar o mundo com sua mórbida tristeza.
Quando eu morrer, não haverá a necessidade de você desviar seu olhar, pra não olhar nos meus olhos, pois os meus olhos serão apenas adubo pra terra.
Quando eu morrer, não pense que eu terei esquecido de você, no meio da minha agonia, pois no instante que a morte chegar e o espasmo da dor me erguer, eu estarei com você na lembrança, até mesmo quando eu morrer.

                                             


(RICHAR CONCEIÇÃO)