quarta-feira, 5 de abril de 2017

MEU BEM


Queria ser o teu idioma para que o meu nome fosse pronunciado diariamente pela sua boca linda e risonha, e ser também, aquela sua canção favorita pra te emocionar, ficar no seu pensamento e você não conseguir me esquecer.
Queria ver no fundo dos teus olhos claros, o meu rosto refletindo, todos os dias, até os últimos dias da minha existência, e que o fogo da nossa paixão só acabasse quando não houvesse mais os nossos corações pra queimar.
Queria que você, meu bem, fosse o remédio pra curar toda a minha dor, mas você é que nem cocaína; quando tenho fico eufórico e alegre, mas quando se vai, meu coração fica aflito e triste a ponto de minha alma querer sair do corpo pra te procurar.
Queria ser o sol que ilumina teus longos cabelos castanhos e aquece o teu corpo nessas manhãs frias de outono. Queria ser o vinho que te faz perder o seu escasso juízo e ser também a chuva que escorre por cada centímetro desse seu corpo esbelto que me tira a concentração, o sono e o fôlego.
Queria mais tempo pra ficar contigo, queria te ver todos os dias, queria tanta coisa nessa vida, mas acima de tudo, queria você aqui comigo agora, pois só assim eu ia poder te dizer tudo o que sinto olhando para os seus olhos claros e sentir sua boca linda e risonha me calando com um beijo.

                                                        (Richar Conceição)

domingo, 19 de março de 2017

O PECADO MAIS GOSTOSO


Ficaria o dia todo, observando o meu rosto refletindo dentro dos seus olhos, e assim, esqueceria o mundo ao nosso redor ao mergulhar por inteiro nos mistérios contidos nas profundezas do teu olhar.
Capotaria cem vezes nas curvas do teu corpo, morreria mil vezes  nos teus braços pra renascer um milhão de vezes no teu coração, e mesmo assim não seria o bastante pra compensar os dias que ficamos longe um do outro.
Contaria ao mundo todo sobre nós dois naquela tarde, naquele quarto, mas quem acreditaria na minha sorte se até as mais lindas flores dos mais belos jardins torcem o pescoço pra te ver passar?
Exaltaria essa dor, que me consome em silêncio, toda vez que a sua beleza vira o centro das atenções, já que agora eu finjo ter paz pra disfarçar meu ciúme aflito e vontade besta de te querer só pra mim.
Pararia a ampulheta do tempo de todo o Universo, para que o mundo estagnasse quando ocorressem nossos encontros proibidos e só assim, a gente não se importaria com nada além de nós dois, naquele quarto de motel.
Fingiria, mentiria e manipularia novamente cada vírgula da nossa história só pra começar do zero e te rever desde as nossas primeiras trocas de olhares. Somos iguais em adultério! A minha paixão é a mentira mais sincera que já falei, e você; é o pecado mais gostoso que já cometi.

(Richar Conceição)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

AFETO



Com uma palavra somente
Eu não sei declarar o meu amor,
Pois você semeou a semente
Da ternura, onde havia rancor!

Ao rever o seu rosto contente
Bateu forte este meu coração
Que eu achei que ia morrer de repente
De alegria, ternura e emoção!

Eu não sei se te amar tem um preço
Mas eu quero você ao meu lado
Pra ganhar sua atenção, seu apreço,
E te dar o meu amor desvairado

Você pode maltratar-me com amizade
Pra fazer o meu afeto esvaecer,
Mas eu sempre encararei a realidade
Pois na verdade, eu não consigo te esquecer.

(Richar Conceição)

domingo, 8 de janeiro de 2017

AMOR PLATÔNICO



Ela mora na minha rua
E apaixonado eu sou por ela!
E o meu espírito flutua
Sempre que a vejo da janela

Eu sinto um amor desconsertante,
Já não consigo mais fingir,
Pois eu a quero a todo instante
E é impossível reagir

Meu coração jamais esquece
Todo o langor que existe nela,
E até no instante da minha prece
Eu sou incapaz de esquecer dela

Na minha rua ela ainda mora
E eu a desejo docemente,
Mas, o meu amigo, ela namora,
E eu sofro silenciosamente.

(Richar Conceição)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

EU E ELA



Eu adoecia de paixão por ela, apesar de ser, apenas um aluno do 1º ano do ensino médio, que usava coturno, calça rasgada no joelho, camiseta preta de banda de rock e tinha uma alma tão sofrida para os meus 15 anos de idade. Eu agonizava de paixão por aquela garota de 14 anos da 7ª série, simpática, que usava óculos, cabelos soltos e tinha uma alma sensível que me fascinava todas as manhãs que eu a via chegar, de carona com o seu pai num carro branco que sempre estacionava na rua Preto Caxias ao lado da Praça, ou quando a gente se falava na hora do intervalo das aulas.
Deixei de matar aulas depois que passamos a frequentar a mesma escola, porém, sempre que possível, dava uma fugida da aula pra vê-la quando a porta da sua sala ficava entreaberta e ela sempre concentrada, sentada no mesmo lugar. Ninguém sabe, mas houve uma noite que eu entrei escondido no colégio e escrevi em toda a sua classe o seu nome e a frase: eu te amo. Ela ficou surpresa, mas no fundo eu acho que ela sabia que era eu que havia escrito, pois eu já não estava mais conseguindo disfarçar.
Um dia ela descobriu que eu escrevia alguns versos e ficou interessada nos meus escritos, eu comecei a escrever compulsivamente poemas que falavam sobre ela, pois eu não sabia pensar em outra coisa que não fosse o seu sorriso, a sua companhia e aos poucos essa paixão já havia saído do meu controle. Viramos bons amigos, a gente se dava muito bem e conversávamos sobre todos os assuntos; bandas de rock, serial killers, atentado terrorista, comidas favoritas e sempre que possível fazíamos piadas um do outro pra descontrair.
Éramos diferentes em tantos aspectos; eu adorava Guns n' roses, Aerosmith, já ela, era fã de Sandy e Júnior. Eu achava uma droga, mas não me importava em ouvir, pois, estava feliz demais ao lado dela pra me importar com nossas pequenas diferenças. Às vezes, eu a levava até a sua casa, apesar de morarmos em lados opostos da cidade e eu levar bronca da minha mãe que queria saber onde eu ia após a aula pra demorar tanto pra chegar em casa. Minha mãe devia achar que eu estava envolvido com drogas, mas não sabia que meu vício era aquela garota da sétima série, que morava na rua Emílio Guilain.
Naquele mesmo ano, ela me chamou pra ir até a sua casa no seu aniversário (Natal de 2001), foi um dia maravilhoso ao lado dela assistindo um programa de clipes musicais no Multishow, conheci a família dela (pai, mãe e irmão), acho que gostaram de mim, exceto o pai dela que apesar de não me falar nada passou a maior parte do tempo me observando, talvez porque já era quase meia noite ou porque percebia que eu via em sua filha: paixão, ao invés de uma simples amizade.
Apesar de todos os meus esforços, eu e ela jamais tivemos um relacionamento, ela trocou de colégio, trocou de endereço, mas antes acabou com todas as minhas expectativas de sermos um casal perfeito nas nossas imperfeições; éramos dois doidos, tagarelas e que com certeza nos daríamos bem se ela sentisse o mesmo por mim. Mas nada aconteceu, já que ela me dispensou com todas as letras, e eu, que estava no céu despenquei direto pro inferno. Naquele momento, senti como se uma artéria rompesse no meu peito e todo o meu sangue começasse a escorrer e a qualquer momento eu teria uma hemorragia interna. Fui embora arrasado, sem rumo, sentindo o coração se partir no peito enquanto minhas lágrimas molhavam a calçada e os paralelepípedos do chão da rua Emílio Guilain.

                                  (Richar Conceição)

domingo, 6 de novembro de 2016

EU NÃO QUERIA TER NASCIDO



Simplesmente eu agora me empenho
Pra me tornar um defunto esquecido,
Pois detesto esta vida que tenho
De destino preestabelecido

Na verdade eu me sinto um tumor
Que é sórdido, horrendo e crescido,
Sempre tive o meu péssimo humor
Na verdade eu nem quis ter nascido

Eu queria voltar pra barriga
Me enforcar com o cordão umbilical
Já que sou inferior a lombriga
Que deglute o resíduo fecal

No espelho eu não quero me ver
Sinto nojo e vou me trucidar
Pois não sinto prazer em viver
Eu prefiro me suicidar.

(Richar Conceição)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

FIM DE TARDE



Sentirei uma infinita saudade daquele fim de tarde do mês de outubro, em que nos beijamos pela primeira vez no centro da cidade. Ao meu redor, tudo estava mudando rapidamente e eu não percebia, pois os meus sentimentos estavam todos voltados para você.
Sentirei saudade de quando nos encontrávamos na rua Melanie Granier nas manhãs de primavera, quando você saía mais cedo ou então matava as aulas chatas da sua escola particular.
Sentirei saudade dos fins de tarde em que eu caminhava quilômetros e quilômetros até o seu bairro, enfrentava muitas vezes o calor do verão e as chuvas torrenciais, apenas para ficar alguns instantes com você e ganhar uma dose dos seus carinhos.
Sentirei saudade daquela manhã ensolarada de fevereiro, em que eu gastei o único dinheiro que tinha com os bombons mais caros e te enviei pelo correio para te convencer que todo o amor que eu sentia era verdadeiro e tinha mais valor do que os meus últimos centavos.
Sentirei saudade das mensagens que você me enviava por celular nos dias em que eu estive internado no hospital, e das madrugadas insones que a gente se falava por telefone e ouvia a mesma frequência de rádio que executava belíssimas canções de amor.
Sentirei saudade do dia em que você fez aniversário e eu tive que entrar de penetra na sua festa, porque seus pais sempre foram contra o nosso namoro e mesmo sem me conhecer, sempre tiveram ódio de mim.
Sentirei saudade das frias manhãs de inverno, quando a gente se encontrava na frente da sua escola antes de você entrar para aula, e eu sempre me atrasava para o serviço, porém, ninguém era capaz de tirar o meu bom humor após ganhar um beijo seu.
Sentirei uma infinita e nociva saudade de cada momento que vivi ao teu lado, ainda mais agora que o tempo passou, nós não somos mais namorados, nem amigos e semana que vem você vai morar pra sempre em outra cidade.
Sentirei uma vontade desesperadora de pedir para que você fique mais um pouco para reatarmos o nosso namoro se ainda for possível. Sentirei insônia, depressão e um vazio imenso na minha alma quando você se for para nunca mais voltar, e não importa o que eu diga ou faça, o seu coração já não pertence mais para mim. Do nosso romance, não restou amor, nem paixão e nem amizade. Só restaram a tristeza e a infinita saudade daquele fim de tarde do mês de outubro, em que nos beijamos pela primeira vez.

                                            (Richar Conceição)