terça-feira, 13 de novembro de 2012

UM HOMEM DE VERDADE



                                 

Homem que é homem vai sim te chamar de princesa, passar a mão no seu cabelo, te chamar pra jantar e por mais antissocial que ele seja, vai ir na sua casa conhecer a sua família. Homem que é homem vai saber usar a sinceridade em todos os momentos, pois saberá que mentira tem perna curta e cedo ou tarde uma simples mentirinha poderá colocar todo um relacionamento por água abaixo.
Homem que é homem fará questão de sair com as mãos entrelaçadas nas tuas pra mostrar à todos que é verdadeiro o amor que sente e que se orgulha de estar publicamente com a pessoa que ama. Homem que é homem vai te mandar um SMS pra te dar boa noite, telefonar pra saber como você está e sempre se colocará a seu dispor em todas as horas que você precisar.
Homem que é homem vai sim achar outras mulheres bonitas, mas saberá priorizar todas carícias pra mulher amada. Homem que é homem vai te ouvir, te aconselhar, te mandar rosas de surpresa, te pedi perdão e dizer que te ama mesmo que as vezes tropece nas palavras ao dizer isso.
Homem que é homem não liga se você está acima ou abaixo do peso, pois pra ele você vai estar sempre gostosa. Por falar nisso, não há nada de errado em um homem chamar a própria namorada de gostosa pois quando o amor é verdadeiro ele é completo, e se ama por inteiro de corpo e alma.
Homem que é homem não deixa namorada como segundo plano e nem faz ciume pra sua namorada pois quer ver sua namorada sempre bem. Provocar ciume, tratar com insignificância, isso é conduta de menino imaturo, já um homem de verdade usa as palavras pra dizer; "eu te amo", e comprova tudo que diz através de demonstrações diárias de companheirismo, respeito e amor pela pessoa amada.

                                                (RÍCHAR CONCEIÇÃO)


   Bagé, 25 de outubro de 2012.

domingo, 1 de julho de 2012

QUERO MORRER


       

Quero morrer quando ela me ignora, ou quando sinto que o seu "bom dia" é só pra cumprir com as normas de boa educação.
Quero morrer quando sonho que estou com ela, que somos namorados e que sou feliz, mas aí acordo nesse pesadelo que é viver longe dela.
Quero morrer quando finjo estar feliz, e que aceito numa boa o fato dela não sentir absolutamente nada por mim e sermos somente amigos casuais.
Quero morrer quando penso nos dias, nas horas, nos meses que passam e que o amor que sinto por ela nunca acaba, e isso me causa uma dor intensa e sem fim.
Quero morrer, e sem perceber cada dia eu vou morrendo pouco a pouco, principalmente em todas as vezes que deixo de lado a minha própria vida só pra idealizar inutilmente uma nova vida ao lado dela, sendo que ao lado dela eu nunca estarei.
Quero morrer, mas será que a morte vai me salvar dessa vida? Quero morrer, já que minha alma é vazia e meu coração também é vazio. Quero morrer! E na minha lápide não quero um ponto final, e sim uma reticência, pra simbolizar o amor não correspondido que levarei comigo pra toda a eternidade.

           (Richar Conceição)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A MAIOR DEFICIÊNCIA



Com minhas roupas limpas e sentimentos amargos, eu me arrasto pelas ruas imundas, numa tarde cinzenta após mais um dia de trabalho.
No ponto de ônibus a rotina se repete; todo mundo com o semblante cansado ou fingindo estar de bem consigo mesmo. Da mesma forma ali estava eu, com fone nos ouvidos para não ter que conversar com ninguém e de óculos escuros para manter meu olhar distante de tudo e olhar somente para dentro do meu próprio egoísmo.
De repente, algo desvia a minha atenção, um casal de namorados toma o mesmo ônibus que eu, ambos deficiêntes visuais, mas o que me intrigava era a alegria e o romantismo invejável que eles tinham. Fiquei ali, estático, vendo o quanto se davam bem e o quanto enxergavam claramente com os olhos da alma, a beleza indescritível do amor.
Durante horas, dias e semanas minha mente ficou lembrando e relembrando com inveja daquele casal feliz e apaixonado andando vagarosamente, de braços dados pelas ruas com aquele sorriso de amor e satisfação sempre presente nos lábios. Por muito tempo eu vi, revi, pensei e repensei em quais lições poderia tirar diante de tudo que acontecia ao meu redor, afinal qual seria a fórmula da felicidade, como eram tão felizes mesmo com aquela deficiência? Questionei-me também sobre os cadeirantes, os deficientes auditivos, mentais e todas as demais pessoas que eu conhecia com algum tipo de deficiência e notei que eles viviam muito bem, era como se a felicidade deles fosse mil vezes maior que a deficiência de cada um. Por que eles são tão felizes e eu não? Decidi perguntar a cada um deles de onde vinha o sorriso sincero, a alegria de ver tudo aquilo que eu mesmo enxergando perfeitamente não conseguia ver? Cheguei perto do casal de deficientes visuais, mais uma vez na parada de ônibus, pra encontrar resposta para essa e outras perguntas, mas no fim eu não perguntei absolutamente nada, pois mais uma vez a voz do meu egoísmo falou mais alto e eu fui embora em silêncio, triste e vazio, como todos que são portadores da maior deficiência; que é viver toda uma vida sem ser verdadeiramente feliz.

                                                  (RICHAR CONCEIÇÃO)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

TE AMO DESESPERADAMENTE!


Lá fora chove torrencialmente, aqui dentro de casa o tédio predomina, e dentro da minha cabeça tudo gira sobre o mesmo assunto; você.
Eu ligo a tv e desligo o radio, depois ligo o radio e desligo a tv, e assim eu permaneço tentando fugir dos meus próprios pensamentos, tentando conter a imensa vontade de te amar e ao mesmo tempo precisando matar esse amor.
As horas passam e eu permaneço sem sono, e então eu fico a imaginar; o que você está fazendo, como você está vestida, se está se alimentando bem, se ainda está no hospital cuidando da sua mãe que se recupera de uma enfermidade, se está em casa assistindo um jogo de volei na tv por assinatura, se está lendo algum romance espírita, ou se já está dormindo, tendo em vista que já passou da meia noite e amanhã você trabalha cedo.
Lá fora ainda chove torrencialmente, e eu releio pausadamente todas as mensagens do meu celular que enviei pra você, sempre falando de um amor intenso e verdadeiro, pois te amo desde o primeiro dia que te vi e o meu amor por você permaneceu o mesmo na intensidade porém, a alegria tornou-se tristeza por não obter o seu amor inacessível.
De repente, senti uma vontade incontrolável de te telefonar e dizer o quanto te amo desesperadamente! Mas pra quê? Pra você me dizer pela milésima vez que não sente absolutamente nada por mim? Num instante de tristeza e raiva, arranquei a bateria do meu celular e atirei pela janela pra não correr o risco te ligar. E no auge da minha melancolia eu pensava; que bom seria poder fazer o mesmo com os sentimentos, abrir meu peito, arrancar meu coração palpitante e atirá-lo pela janela pois quem sabe assim, ele pare de bater sedento e descompassado por você.

(RICHAR CONCEIÇÃO)

Bagé, 11 de abril de 2012.

domingo, 13 de novembro de 2011

"EX AMOR ETERNO"




Talvez, eu não tenha te tratado tão bem quanto você realmente merecesse ser tratada, e provavelmente todas as suas ofensas façam realmente sentido, ainda mais agora que as trevas da nossa relação diminuíram com a nossa separação.

Talvez seja impossível te esquecer, já que você está em todas as coisas que alegram os meus dias monótonos e sombrios, e o seu sorriso está em todas as minhas lembranças daqueles dias ensolarados que estivemos ao lado de nossos amigos, vivenciando somente coisas boas.

Talvez seja tão difícil te arrancar do pensamento, pois todas as lembranças boas que tenho foram vividas ao seu lado e sem você só tenho páginas vazias e dias nublados pra recordar.

Talvez seja tão difícil te esquecer repentinamente, porque as mais lindas canções de amor parecem sussurrar em versos as sensações que carrego na alma, e às vezes, chego a pensar que a canção fala exclusivamente de você quando o cantor declara todo o seu amor contido.

Talvez seja tão sofrido te esquecer, porque te vejo em tudo que há ao meu redor; as curvas da estrada, os plátanos de outono, a fragrância das flores, um outro calor (humano) no inverno, e todas as outras coisas cotidianas que só faz sentido se você estiver por perto pra enxergar beleza nisso tudo, e aliás, você continua fazendo parte dos meus sonhos e das minhas lembranças, mesmo que atualmente tenha que ser de forma ilusória, pois nossos caminhos estão seguindo rumos diferentes, mas mesmo assim quero ter você por perto, apesar de você estar tão distante do nosso "Ex Amor Eterno", mas que eu ainda carrego comigo.


(RICHAR CONCEIÇÃO)








terça-feira, 9 de agosto de 2011

ROSAS COLOMBIANAS


Vasculhei por todos os cantos da cidade as mais belas rosas, vermelhas e delicadas, para te dar nesse dia em que você completa mais um ano de vida. As rosas tinham que ser como a aniversariante; alegre, linda, delicada e além disso, representar da forma mais singela todo o amor que sinto.
Escolhi uma dezena de rosas colombianas, que eram as mais belas de toda a floricultura e fiquei pensando em como você reagiria ao recebê-las. Fiquei pensando no que você poderia pensar segundos antes de abrir aquele cartãozinho discreto, que coloquei entre as rosas.
Será que vai pensar primeiramente em mim ou ficará um leve descontentamento ao imaginar que seria outro remetente? Será que seu semblante ficará rosado e seus lábios esboçarão um sorriso de alegria, ou será que seu semblante ficará rosado de vergonha e o seu sorriso será de escárnio? Será que você estará em casa quando as rosas chegarem? E se por acaso você não estiver, o que sentirá ao ver aquelas rosas repletas de decorações esperando ansiosamente pela sua chegada? Enfim, isso eu nunca irei saber com exatidão, assim como nunca saberei a medida certa, do amor que passei a sentir por você, desde o dia que te vi pela primeira vez.
As rosas que te envio, são mais uma tentativa de traduzir em gestos tudo aquilo que as palavras já não dizem, pois chega uma hora que dizer: "eu te amo", é pouco, perto de tudo que sinto por você. Sinto como se todo o tempo do mundo fosse pouco pra ficar ao teu lado, pois quanto mais eu te vejo mais eu te quero, e quanto mais eu te quero mais eu te sinto distante.
Tenho certeza, que tão cedo, você não esquecerá do seu décimo oitavo aniversário quando eu (desvairado de amor) te enviei rosas vermelhas, e sei também que não sentirá por mim uma paixão repentina só porque usei uma forma antiga de declarar todo o meu amor. Mas isso não importa, não sentirei nenhum remorso por ter sido sincero ao dizer; que penso em você a todo instante, que conto as horas pra te ver, que te amo incondicionalmente mesmo sabendo que com o passar do tempo, as rosas ficarão murchas, desbotadas e você vai jogá-las fora, na mesma lata de lixo, que colocou todo amor que te dei.

(RICHAR CONCEIÇÃO)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

FELICIDADE INSTANTÂNEA


Nenhuma fase da nossa vida é mais inocente e marcante do que a infância, onde tudo parece ter um doce sabor, ao contrário do amargor que o passar dos anos coloca no nosso paladar.
Na minha infância e pré-adolescência, as coisas eram bem mais escassas, em todos os sentidos, mas mesmo assim eu me sentia mais tranquilo e feliz que nos dias de hoje. Lembro-me que para tomar um ônibus a gente precisava somente de 50 centavos pois tudo era mais barato, até mesmo a felicidade que eu sentia.
Meus colegas e eu, todos da mesma faixa etária (11, 12 anos) e mesma classe social (pobreza total), íamos para o colégio Frei Plácido, corríamos nos corredores para pegar um bom lugar no refeitório e quem sabe comer mais de uma vez a comida que a merendeira Dona Vera e Suelí faziam com tanto carinho. Lembro como se fosse ontem, meus colegas e eu comendo as frutas quentes da Av. Barão do Triunfo após a saída da aula. Tudo era motivo para brincadeira, até mesmo selar o tênis novo do colega, já que raramente tínhamos roupa nova para colocar.
Lembro como era especial as festas de São Cosmo e Damião, festa de dia das crianças, enfim, eu e todas as crianças pobres queríamos estar nas festas, e não importava se era numa Terreira de Umbanda ou na Igreja Nossa Senhora Aparecida, pois o lugar não interferia no sabor dos doces que a gente tanto queira comer. Natal, Páscoa e aniversário eram as datas mais importantes, chegávamos a contar os dias pois a ansiedade era imensa, como se algo grandioso estivesse por acontecer.
Sei que vou parecer minha avó falando mas, naquele tempo as coisas eram mais difíceis. Eu não conhecia ninguém que tivesse computador e pouquíssimas pessoas tinham celular e quando tinham era o famoso "tijolão". Quando o assunto era amor, também era mais difícil já que não se mandava torpedo, recado pelo orkut ou msn. Restava para os mais tímidos, apelar para as cartas de amor escrita a próprio punho intencionando um encontro amoroso com abraços tímidos e beijos quase que furtivos, porém, os romances eram mais reais do que virtuais.
Lembro do quanto os adultos me cobravam mais maturidade e nos dias de hoje eu me pergunto: O que ganhei me tornando uma pessoa madura? Não tenho tempo para mais nada a não ser trabalhar. Os meus colegas da época do colégio cada um seguiu seu rumo se enclausurando na vida adulta dotada de cobranças, e assim, a verdadeira felicidade que existia nos pequenos gestos de ternura e amizade, foi se perdendo ao longo do tempo.
Ao invés dessa felicidade instantânea tínhamos uma felicidade consistente, não percebíamos que a nossa miséria também era culpa do prefeito municipal que não pagava nossos pais, funcionários públicos. Na nossa inocência de criança achávamos que as pessoas que gostávamos ficariam para sempre junto conosco, mas com o passar do tempo a vida nos ensinou da forma mais dura que estávamos errados, e assim, chegamos a vida adulta de cara e sentimentos endurecidos.
O tempo passou, as merendeiras morreram, amigos se distanciaram e quando me olho no espelho vejo que meu semblante não é mais o mesmo, o sorriso não está mais tão presente no meu rosto e a barba está precisando ser refeita.
Olhando um velho album de fotografias, me bateu aquela vontade de reviver tudo; chamar os velhos amigos e convencê-los que tudo que nos cobram na infância (seriedade, maturidade) não serve de absolutamente nada sem a leveza que tínhamos naquela época, precisamos rir mais e esquecer o que os outros vão pensar da gente, senão daqui a alguns anos não teremos nem a felicidade instantânea, teremos somente uma tristeza amadurecida que sem a gente perceber nos matará lentamente.

(RICHAR CONCEIÇÃO)